• Luciana S. Correa

Envelhecimento conectado

Será mesmo que o envelhecimento afasta as pessoas da tecnologia?



Foto: AdobeStock

Envelhecimento e tecnologia. Duas palavras que não se misturam.


Será?


Na minha opinião, nada mais longe da realidade. Mais do que um fato constatado, acredito que esta ideia se apoie no senso comum que diz que envelhecimento é um momento de perdas e de declínio das capacidades humanas.


Mas, vamos lá... estamos no século 21 e a cada dia vemos exemplos de pessoas se realizando plenamente aos 60, 70 e 80 anos. Os exemplos são muitos.


A belíssima Jane Fonda, com 81 anos, faz tanto sucesso com a série “Frankie & Grace” da Netflix, quanto fez aos 20 anos, com Barbarella. Outra atriz, a Glenn Close, aos 71 anos está sendo celebradíssima por sua atuação no filme “A Esposa”, que lhe rendeu um Globo de Ouro e é candidatíssima ao Oscar 2019. No Brasil, temos Fernanda Montenegro, reconhecidíssima como a grande dama da dramaturgia nacional e a Dona Helena, que lançou sua grife de moda íntima com mais de 80 anos (veja o post ).


Estas são apenas algumas pequenas mostras de que criatividade, iniciativa, aprendizado e inovação podem acontecer em qualquer etapa da vida.


Então, por que ainda nos apoiamos na ideia equivocada de que ao envelhecer a pessoa perde o interesse e até o direito de conectar-se plenamente ao mundo digital?


Poderíamos pensar em uma série de questões históricas, antropológicas, sociológicas e filosóficas para responder a esta pergunta. Mas, acho que, de forma bem direta, trata-se de preconceito mesmo.


Pesquisa da empresa Pew Research feita em 2017 nos EUA, aponta que o grupo das pessoas com 65 anos ou mais é o que mais adquire smartphones no país. As vendas do dispositivo para este grupo são quase quatro vezes maiores do que para o grupo até 35 anos.


É só olharmos à nossa volta...


Nas regiões metropolitanas do país, por exemplo, os smartphones andam de ônibus, de metrô, a pé, de bicicleta, de Fusca e de Mercedes. Estão nas mãos de adolescentes e também dos seus avós.


É claro que alguns usos diferem conforme a idade. O usuário mais velho quer um aparelho que lhe seja útil, que lhe facilite a vida e proporcione conexão com as pessoas. Para esta turma o WhatsApp é essencial. Skype; acesso às redes sociais digitais (Facebook e Instagram se destacam); aplicativos de geolocalização, como o Waze ou o Google Maps; serviços de taxi e aplicativos bancários são mais importantes para eles do que games ou vídeos.


Convenhamos que imaginar que os baby boomers, que nasceram entre 1945 e 1965, são inábeis com a tecnologia não faz lá muito sentido. Eles testemunharam grandes avanços da humanidade como a chegada do homem à Lua, o desenvolvimento da cibercultura a partir da microinformática e do computador pessoal na década de 1970, a popularização da internet e das redes sem fio e os telefones celulares da década de 1990. Considerando tudo isso, é natural que nesse início de século 21 eles sejam capazes de lidar cotidianamente com as “novas tecnologias nômades”.


Na verdade, envelhecimento e tecnologia combinam, sim. E dão muito certo juntos.


#envelhecimentoconectado #tech60mais #longevidade #matureintech


*Texto originalmente publicado no blog Convercêutica


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