• Luciana S. Correa

O que a ONU e Hollywood têm em comum?

Uma oportunidade para mitigar os preconceitos em torno do envelhecimento



Foto: Divulgação Netflix

Havia pouco mais de um mês que eu não entrava na Netflix para ver as novidades, quando me deparei com o ótimo “A última gargalhada” (2019), com Chevy Chase e Richard Dreyfuss.


Depois de rir muito e me emocionar, fiquei pensando...


Você já reparou na quantidade de bons filmes e séries com personagens centrais mais velhos que temos hoje em dia?


Na própria Netflix, além do filme com Chase e Dreyfuss, há ainda as ótimas séries “Gracie & Frankie”, com Jane Fonda e Lily Tomlin, e “O Método Kominsky”, com Michael Douglas e Alan Arkin. Fonda ainda estrela o delicado “Nossas Noites” em parceria com Robert Redford.


Em comum, estas produções têm um toque de irreverência ao discutir o cotidiano das pessoas que passaram dos 60 anos ao mesmo tempo em que promovem um olhar aguçado sobre suas visões de mundo, motivações, frustrações e expectativas futuras.


Até aí, tudo bem. Mas, você deve estar se perguntando onde exatamente a ONU se encaixa nisso?


Eu explico.


Desde a década de 1980, a organização tem colocado a questão do envelhecimento populacional no centro das suas discussões. Em duas assembleias, uma em Viena em 1982, e outra em Madrid em 2002, a entidade definiu modelos de desenvolvimento e metas que ajudam os países membros a traçarem políticas de Estado que ampliem o protagonismo social, cultural e econômico das pessoas acima dos 60 anos.


Entre as muitas resoluções, está a sugestão da disseminação de imagens que destaquem a sabedoria, a autoridade, a produtividade e as contribuições deste grupo etário para a sustentabilidade global.


Se na década de 1980 filmes como “Cocoon” faziam sucesso pelo inusitado de colocar pessoas mais velhas como personagens centrais, atualmente, vemos Hollywood levar adiante as resoluções da ONU, trazendo à luz e à discussão novos estilos de vida e novas identidades vividas nesta fase da vida.


São personagens interessantes e interessados. Eles aceitam desafios e delineiam novos propósitos de vida. Desenvolvem novos afetos em relacionamentos francos e de qualidade. São participativos e não se restringem ao papel da senhorinha ou do senhorzinho. Riem de si mesmos, vencem preconceitos e traçam novos paradigmas para o envelhecimento.


Para mim, aí está a grande sacada desta nova safra de filmes com atores e atrizes já muito consagrados, representar o que vemos na vida e na convivência ao nosso redor, dar voz às pessoas que envelhecem altivas e focadas; que desenvolvem uma segunda ou terceira carreira de sucesso; que renovam seus aprendizados e buscam novos conhecimentos; que não se restringem aos papéis tradicionais que a sociedade lhes traçou, mas, que buscam novos modos de viver e de ser.


#longevidade


*Texto orginalmente publicado no blog Convercêutica

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