• Luciana S. Correa

Se a Dona Helena pode, eu também posso!

Criatividade e inovação em qualquer idade

Foto: Aline Wenceslau

Esta é a frase que Helena Schargel ouviu repetidas vezes quando decidiu levar adiante um novo projeto profissional pós-aposentadoria. E foi também uma das falas que mais me impactaram na palestra dada por ela no TEDx São Paulo, do último 10 de dezembro.


Estilista por mais de 50 anos, Dona Helena deu um show de autoconhecimento, bom humor e ousadia. Em sua apresentação de 15 minutos, ela demonstrou a força da mulher que envelhece conhecedora de si mesma e desprendida dos limites impostos por rótulos ou conceitos preestabelecidos. Bela e plena, ela desfilou para cerca de mil pessoas peças da sua coleção de lingerie 60+. E nos ensinou muito sobre a longevidade e o envelhecimento sob a ótica feminina.


É fato que envelhecer traz desafios diferentes para homens e mulheres. Se, para eles, a pressão gira em torno de uma vida economicamente ativa e produtiva após a aposentadoria, para as mulheres, além deste desafio se apresentam fortemente as questões ligadas ao envelhecimento do corpo. Cirurgiões plásticos e as indústrias de cosméticos que o digam!


São opções e mais opções de cremes antienvelhecimento, tinturas para esconder os cabelos brancos, botox e intervenções cirúrgicas, e mais tantos produtos e serviços que ficamos até tontas, nos perguntando: ‘Qual será o melhor para mim?’. Porém, muito poucas vezes nos perguntamos: ‘Será que devo me render a todas estas exigências disfarçadas de opções?’.


A Dra. Laura Hurd Clarke, estudiosa das questões do envelhecimento na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e autora do livro Facing Age, atribui à cultura do consumo a disseminação da ideia de que devemos envelhecer mantendo a mesma aparência de quando éramos jovens. Para Clarke, a contemporaneidade reforça a ideia de sermos ageless, ou seja, sem idade. Longe de pregar a falta de cuidados pessoais e atenção ao processo de envelhecimento, a Dra. Clarke nos estimula a pensar de uma forma mais holística em que todos os aspectos da vida possuem igual relevância em detrimento do cultivo somente da aparência física.


E é aí que volto a pensar na palestra da Dona Helena e na forma carinhosa com que ela recebeu as mudanças do seu corpo que envelheceu e como entendeu que a vida pode ser muito plena com as ruguinhas, com as dobrinhas e com as marquinhas da idade, desde que acompanhada de uma atitude positiva e de perspectivas futuras.


Na aposentadoria, Dona Helena escolheu empregar todo o conhecimento e contatos de uma vida profissional longeva e bem sucedida no desenvolvimento de um novo projeto, onde colocou sua criatividade e muito bom gosto a serviço da autoestima e da sensualidade da mulher que envelhece. Seu relato demonstra a força de uma mulher pronta para superar obstáculos, para se entregar à vida, não importando a idade e, muito menos, importando críticas ou falatórios que queiram enquadrá-la no modelinho da “senhorinha, fofinha, engraçadinha, boazinha”. Liberta de rótulos, ela é Helena em toda sua força.


Fiquei fã da Dona Helena. Mas, acima de tudo, aprendi que tenho que ser fã de mim mesma tanto nos meus 48 anos, quanto daqui a 10, 20, 30 anos. Compartilhando conhecimentos, experiências, ideias e me abrindo para novos horizontes e desafios. Sempre!


#empreendedorismo50mais #longevidade #TEDxSãoPaulo


*texto orgininalmente publicado no blog Convercêutica

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